VIOLETA, BOOK REVIEW, EZEQUIEL THEODORO DA SILVA

 

O romance Violeta narra a vida de Violeta del Valle, mulher nascida em 1920, em plena pandemia da gripe espanhola, que atravessa o século XX até o ano 2020 — encerrando sua vida na pandemia de COVID-19. A autora utiliza o recurso de carta memorial escrita por Violeta a seu neto para reconstruir não só sua trajetória pessoal — marcada por amores, perdas, alegrias e recomeços —, mas também toda a pulsação histórica da América Latina: crises econômicas, migrações, convulsões políticas, transformações sociais e culturais. 

Em sua estrutura, o romance costura o íntimo e o coletivo, o particular e o universal, oferecendo uma visão panorâmica da condição humana ao longo de um século tumultuado. 

A força de Violeta reside na construção de sua protagonista: uma mulher sensível, resiliente, vulnerável e, ao mesmo tempo, profundamente vivaz — cujos sonhos, medos e contradições ecoam os de tantos outros, anônimos. A escrita de Allende, com sua prosa fluida, rica em metáforas e sensível à voz feminina, permite uma imersão empática na alma de Violeta e nas vicissitudes de sua época. O entrelaçamento entre vida pessoal e história coletiva transforma a narrativa em uma espécie de saga íntima e social, capaz de tocar o leitor em múltiplos níveis — sentimental, histórico e reflexivo. 

Por tudo isso, considero que Violeta vale muito a pena ser lido. É uma obra que homenageia a memória e a experiência da mulher ao longo de um século, sem perder a ternura nem a intensidade. Para quem gosta de romances que combinam emoção, riqueza histórica e densidade humana, oferece uma leitura profunda e comovente — ideal para discussão em grupo, onde múltiplas interpretações e sensibilidades podem enriquecer a experiência. 


Personagens centrais 

1. Violeta del Valle

Protagonista e narradora. Mulher de forte personalidade, que vive um século inteiro marcado por crises políticas, pandemias, paixões e perdas. Escreve um longo testamento–carta ao neto Camilo.

2. Camilo

Neto de Violeta e destinatário da carta que compõe o romance. Padre dedicado à ajuda humanitária. Representa o elo afetivo mais profundo de Violeta e a razão para seu relato final.

3. Arsenio del Valle

Pai de Violeta. Empresário bem-sucedido que perde tudo na crise econômica. Sua queda marca o início da transformação radical da família. 

4. Rosa e José Antonio del Valle

Irmãos de Violeta. Representam caminhos diferentes de vida: Rosa, mais dócil e sensível; José Antonio, envolvido em conflitos e tensões familiares. 

5. Miss Taylor

Governanta inglesa da família. Figura rígida, disciplinada e moralista; exerce papel crucial na formação de Violeta durante a infância.

6. Tránsito

Mulher forte, resiliente, que se torna uma importante referência moral para Violeta. Trabalha na fazenda onde a família se refugia após a ruína financeira. 

7. Torito

Filho de Tránsito. Amigo de infância de Violeta, representa a vida simples e o afeto genuíno, ausente do ambiente aristocrático da família del Valle. 

8. Julián Bravo

Primeiro grande amor de Violeta — e sua maior ferida. Aviador, sedutor, infiel e violento. Seu comportamento abusivo marca profundamente a trajetória emocional da protagonista.

 9. Violeta Bravo

Filha de Violeta com Julián. Carrega as dores da relação conflituosa entre os pais e enfrenta problemas de saúde mental.

 10. Juan Martín

Filho de Violeta, também fruto da relação com Julián. De personalidade generosa e tranquila, busca construir uma vida mais pacífica que a da mãe.

 11. Sabina

Amiga de Violeta durante sua maturidade. Independente, cosmopolita e politicamente engajada. Amplia a visão de mundo da protagonista e simboliza novas formas de liberdade feminina.

 12. Gregório

Companheiro tardio de Violeta. Relação marcada por cuidado e respeito, contrastando com o amor destrutivo de Julián Bravo.


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