GÊNERO EPISTOLAR - UMA EXPLICITAÇÃO
por Ezequiel T da Silva
Um romance epistolar é uma forma narrativa construída a
partir de cartas, diários, bilhetes ou registros íntimos que simulam a
comunicação direta entre personagens ou entre narrador e destinatário. O termo
“epistolar” vem do latim epistola, derivado do grego epistolḗ, que significa “carta” ou “mensagem
escrita”. Desde a Antiguidade, o gênero epistolar era usado na filosofia e na
teologia — basta lembrar as Epístolas de São Paulo ou as Cartas a Lucílio, de
Sêneca. Mas é no século XVIII, com o florescimento da burguesia e da cultura
letrada, que ele se transforma em forma literária autônoma: o romance epistolar
passa a ser um espaço privilegiado para a expressão da interioridade, da
subjetividade e dos afetos.
Sua principal característica é a ilusão de autenticidade: as
cartas parecem espontâneas, privadas, verdadeiras. O leitor se torna cúmplice,
como se tivesse acesso a confissões secretas. Esse tipo de narrativa elimina o
narrador onisciente e constrói a trama pela justaposição de vozes, permitindo
múltiplos pontos de vista e a coexistência de diferentes verdades. Essa
estrutura cria uma leitura ativa, na qual o leitor precisa reconstruir a
história a partir de fragmentos e silêncios. O gênero também destaca a tensão
entre o público e o íntimo, entre o que se revela e o que se oculta — dimensões
fundamentais do ser humano moderno.
Entre os grandes nomes do romance epistolar estão Samuel
Richardson, com Pamela (1740) e Clarissa (1748); Jean-Jacques Rousseau, com A
Nova Heloísa (1761); e Goethe, com Os Sofrimentos do Jovem Werther (1774), que
marcou toda uma geração. No século XIX, a forma se manteve viva em autores como
Mary Shelley (Frankenstein, 1818) e Bram Stoker (Drácula, 1897), que exploraram
o formato para criar verossimilhança e tensão psicológica.
Na literatura brasileira, o gênero também encontrou terreno
fértil. José de Alencar, em Lucíola (1862), utiliza longas cartas como
estrutura confessional; Machado de Assis, em Ressurreição (1872) e
especialmente em Helena (1876), recorre a cartas para revelar sentimentos
ocultos e conflitos morais. Mário de Andrade, em Amar, verbo intransitivo
(1927), incorpora cartas e bilhetes como dispositivos narrativos de
autodescoberta. Já Lygia Fagundes Telles, em As Meninas (1973), e Fernando
Sabino, em O Encontro Marcado (1956), recuperam o espírito epistolar em
fragmentos de diários e correspondências, modernizando o gênero.
Em tempos recentes, o romance epistolar se renova por meio de
e-mails, mensagens de texto e redes sociais, preservando seu princípio
essencial: dar voz direta ao eu que se revela por escrito, mantendo o valor da
carta — ou da palavra escrita — como espaço de verdade, memória e emoção.
Atividade Prática
Segue abaixo o meu endereço em Campinas. Peço a cada integrante do Círculo Literário rememore o prazer de escrever cartas e escreva uma carta - escrita com letra manuscrita à mão - e a envie para mim. O assunto pode ser qualquer um, ficando à sua escolha. Vou receber e responder todas as cartas tão logo as receba e leia com o devido carinho (Não vale carta impressa - tem de ser escrita à mão, com a sua letra manuescrita. Fico no aguardo, esperançoso por receber notícias suas. EZEQUIEL THEODORO DA SILVA. Rua Dr. Carlos Guimarães, 150 Apto#41 CEP - 13024.200 Campinas, SP. Já estou ansioso para receber notícias.



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