VIOLETA, TRECHO DOIS

 VIOLETA, de Isabel Allende

Período - 08/10 – 28/10

Juventude e amadurecimento em meio a crises políticas

Tema: amor e violência

 INTERPRETAÇÃO LIVRE

Produza uma interpretação daquilo que você compreendendo e sentindo até este ponto da vida de Violeta, ou seja, sua infância e juventude. Se quiser, poderá comparar a vida de Violeta à sua própria vida para tecer seu comentário. Ou então comparar o contexto e ambientes da história ao contexto brasileiro. Ou então dizer o que o poema abaixo apresenta de relações possíveis com a vida de Violeta. Procure esmerar no seu comentário, convidando o seu leitor a apreciar o seu texto prazerosamente. 


Tu me queres branca

                      Alfonsina Storni  (1892–1938)

Tu me queres alva,
me queres de espuma,
me queres de nácar.
Que eu seja açucena
acima de todas, casta.
De perfume tênue,
corola fechada.

Nem um raio de lua
me tenha tocado.
Nem uma margarida
se diga minha irmã.
Tu me queres nívea,
tu me queres branca,
tu me queres alva.

Tu que tiveste todas
as taças à mão,
de frutos e méis
os lábios manchados.
Tu que no banquete
coberto de pampas
deixaste as carnes
festejando a Baco.

Tu que nos jardins
negros do engano,
vestido de vermelho
corriste ao estrago.
Tu que o esqueleto
conservas intacto
não sei ainda
por quais milagres,

me pretendes branca
(Deus te perdoe),
me pretendes casta
(Deus te perdoe),
me pretendes alva.

Vai-te à montanha;
purifica a boca;
vive nas cabanas;
toca com as mãos
a terra molhada;
alimenta o corpo
com raiz amarga;
bebe das rochas;
dorme sobre a escarcha;
renova os tecidos
com salitre e água.

Fala com os pássaros
e levanta-te ao alvorecer.
E quando as carnes
te tenham voltado,
e quando tenhas posto
nelas a alma
que pelos quartos
ficou enredada,
então, bom homem,
pretende-me branca,
pretende-me nívea,
pretende-me casta.


Comentários

Flavia Boavista disse…
Este poema contundente que denuncia a hipocrisia das exigências sociais impostas às mulheres, especialmente no que diz respeito à pureza, à castidade e à submissão. Storni critica o duplo padrão moral que perdoa os excessos dos homens, enquanto exige das mulheres uma conduta irrepreensível, quase angelical.

A repetição da frase “Tu me queres branca” revela a pressão constante sobre a mulher para ser pura, casta, submissa e idealizada — como se sua existência devesse girar em torno do desejo e julgamento masculino. A voz poética, porém, se rebela. O poema ganha força especialmente na segunda parte, quando a mulher exige que o homem se purifique, se reconecte com a natureza e repense seus valores antes de querer impor qualquer coisa a ela.
Ezequiel disse…
Belo comentário, Flávia. Muito objetiva, percebendo bem a temática contida nos textos comparados. Valeu, grato.

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